quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

ROUPAS QUE ABSORVEM POLUIÇÃO

Foto Reprodução
Um químico e uma estilista da Inglaterra estão desenvolvendo um sabão em pó para transformar calças jeans em neutralizadores de poluição do ar.
Assim que o novo sabão em pó chegar ao mercado, as roupas lavadas com ele poderão, segundo os criadores, absorver os gases de poluição.
Tony Ryan, professor de química da Universidade de Sheffield, criou junto com Helen Storey, professora de ciência da moda do London College of Fashion, o Catclo, um produto que gruda nas fibras das roupas quando é adicionado ao sabão em pó durante a lavagem.
O produto então reage com a luz para neutralizar os óxidos de nitrogênio, gases que prejudicam o meio ambiente e estão no ar.
Ao contrário de muitos inventores, o químico e a estilista não querem patentear o Catclo. Eles acreditam que a tecnologia deve ser livre para todos usarem, assim mais pessoas poderão usar as roupas tratadas com o pó e absorver mais poluição.
Uma fábrica britânica de produtos de limpeza, a Ecover, já está testando o Catclo.
E os inventores contam que ele pode chegar aos supermercados britânicos dentro de um ano.
Veja o vídeo da reportagem aqui.

Fonte:BBC Brasil

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

CALÇA JEANS...NEM TUDO NA MODA É EFEMERO!


Imagem: Galeria do Google

 Afinal, que fascínio é esse, que uma calça jeans exerce nas pessoas? De acordo com CATOIRA (2009:15), o jeans, de um lado seduz pelas fantasias estéticas que propõe. De outro é o próprio elemento comunicação, divulgado e manipulando escolhas individuais.
É o caráter simplista, prático e fundamental, que o jeans tem que o torna atemporal. Ele pode ser absolutamente tudo, pois em sua simplicidade e  em sua integridade, ele menos se insere nos códigos sociais, porque consegue atender a todo tipo de função afirma VINCENT-RICARD (1987:164).
Para BAUDRILLARD (2007:155) o modelo tem direito à duração, à solidez e à lealdade [...] da produção em série, cujo valor está intrinco à capacidade de uso.
A diferença sensível entre o modelo e o objeto de série, é que este se esvai nos altos e baixos dos modismos, enquanto aquele permanece intacto, embora  permita-se ser reproduzido em série, sem perder a sua característica primeira, que é o estilo. Neste caso específico, a calça jeans chegou até os dias atuais, intacta em sua essência,  por permitir que lhe fossem feitas inúmeras interferências, ser reproduzida em série sob diversas leituras, pela efemeridade da moda,  sem, no entanto, perder o seu signo perene, no momento de seu nascimento.
Ela atravessou décadas, adquirindo várias faces, para se firmar como um produto, ao mesmo tempo de massa e de desejo.
Uma coisa é certa, sempre foi fiel às suas origens. No primeiro instante, o de proporcionar conforto aos mineiros americanos do século XIX, depois como objeto congregante no século passado, no que diz respeito à juventude do pós-guerra, que desejava buscar sua própria identidade, e, atualmente, como produto de consumo democrático.
Sua história nasce da necessidade de um jovem imigrante alemão, Levi Strauss, recém chegado, em plena corrida do couro, no continente americano, de aproveitar um tecido duro e pesado, utilizado na produção de barracas ou proteção aos vagões de minérios, que estava encalhado em sua loja. Desse material confeccionou algumas calças e as ofereceu aos trabalhadores das minas. Dada a sua durabilidade, o sucesso foi imediato. Em 1853, nascia a LEVI’S.
Depois de sua invenção, a calça jeans atravessou várias décadas do século XX, adaptando-se às necessidades sociais impostas em cada período. Nas primeiras décadas, serviu a trabalhadores rurais e ao exército americano, em sua totalidade.  A partir da metade do século, serviu de uniforme às aspirações da juventude, atuando em filmes, nas telas e fora delas, nos corpos dos diferentes ícones do cinema assumindo, assim, diferentes papéis. Foi às passeatas e festivais, sendo protagonista da libertação dos costumes, até tornar-se produto de moda, pelas mãos do estilista Calvin Klein, na década de 70, quando finalmente chegou às passarelas.
Percebida, também, pela indústria brasileira, desde 1948, passou quase que invisível, pelas duas décadas seguintes, até ser percebida pela juventude da classe média e, tornar-se, também, aqui, ícone de libertação.
Mas foi no final da década de 80, em diante, no Brasil, que o jeans foi alçado a status de moda. Importante produto, para a economia, que começava a se abrir para o mundo, dada a imposição da abertura para as importações, no governo Collor.
Desse período em diante, a moda tornou-se, efetivamente, negócio no país. Cursos superiores, de graduação e especialização, e técnicos foram criados, profissionalizando o setor. Novas frentes e projetos de fomentos públicos e privados, para potencializar o setor e associações de classes foram formadas.
Atualmente, no país são produzidos cerca de 51, 4 milhões de metros de denim por mês, sendo exportados cerca de 51,4 milhões, colocando o Brasil como terceiro maior produtor do mundo. Concomitantemente, a produção de calças jeans gira em torno de 226.700.000 (duzentos e vinte e seis milhões e setecentos mil), e o mercado movimenta por volta de R$ 8,2 bilhões por ano. Esses são os dados da ABIT – Associação Brasileira das Indústrias Têxteis.
O maior pólo atacadista da América Latina de produção de calças jeans, ainda localiza-se no bairro paulistano do Brás, segundo a ALOBRAS – Associação dos Lojistas do Brás -, com um número aproximado de quatro mil confeccionistas (4.000) e produção de 10 milhões de calças por mês, e 1,2 milhões de calças jeans exportadas para países das Américas do Sul e Norte, e Europa, todo mês.
No entanto, um fenômeno mercadológico vem acontecendo há alguns anos, a pulverização do consumo e a queda do domínio do bairro paulistano, reverberando em outros pólos produtores de calças jeans no Brasil, como o norte do Paraná, Agreste Nordestino, Centro Oeste, Triângulo Mineiro, entre outros. Bom para o consumidor, que pode ter mais opções.  Afinal, num país com dimensões continentais, não há razão de centralizar a produção de um determinado produto em uma única região.
Muitas ações, no segmento, ainda são necessárias. Uma identidade, exclusivamente, brasileira, por exemplo, utilizando-se os recursos naturais e humanos, que o país dispõe, incorporados ao desenvolvimento de produto de jeans, são os reclamos latentes, tanto no relativo ao mercado consumidor, interno e externo, quanto no técnico, no que diz respeito à defasagem de mão-de-obra qualificada, conforme aponta a pesquisa Economia e Cultura de Moda no Brasil,  desenvolvida através de Convênio firmado entre o Ministério da Cultura e a Iniciativa Cultural - Instituto das Indústrias Criativas -, em dezembro de 2011, aqui.
No entanto, a preocupação, do mercado brasileiro, ainda, é uma só:  trazer às mulheres, e aos homens,  novas criações em modelos e modelagens e lembrá-los, que antes de ser uma peça útil para o dia-a-dia, a calça jeans é, acima de tudo, uma arma de sedução.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

MINIMALISMO NO INVERNO 2013

Imagens: UOL


        
Depois de um longo período de excessos e detalhamento nas roupas nas estações passadas, o inverno 2013 traz um zéfiro de novidade na moda, a volta do minimalismo.
É bem verdade, que a limpeza e a simplicidade da forma não vale para todo o guarda-roupa, e, sim para uma peça, em especial, o casaco longo, presente em muitos desfiles, apresentados no Fashion Rio e no SPFW.
Podemos afirmar sem medo de errar, que ele é o mais novo "queridinho" das fashionistas de plantão e o "coringa" da temporada.
Leia e veja mais aqui...


SEDA SUSTENTÁVEL NO BRASIL

Há alguns meses fiz uma postagem sobre um jeans, aqui, cuja composição era 50% seda, 25% garrafas pet e 25% algodão, o chamado "Jeans com Seda". A seda, que entra na composição desse tecido é obtida, a partir de casulos defeituosos, que não são aproveitados nas tecelagens da região. Um tecido, totalmente sustentável.
Hoje, volto nesse assunto, com um vídeo, do programa Good News, da Rede TV, onde é mostrada a forma de obtenção desse tipo de tecido, desde a sericicultura aos teares manuais, entre outros assuntos...Divirtam-se!


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

"TENDÊNCIA DE MODA": COISA DO PASSADO...SERÁ?

A despeito de uma postagem, que fiz há um tempo atrás, aqui, afirmando que, por conta da internet, não se pode mais falar em tendência de moda, porque a informação foi pulverizada pelo globo, de maneira que o que é feito em São Paulo reverbera em Tóquio; o mesmo acontece em Estambul, em relação ao Peru, e assim, sucessivamente. A moda mais do que nunca assumiu o seu status quo paradoxal, de um lado dependente da efemeridade das mudanças, de outro, perene, pela maturidade do estilo, pelo qual a sociedade "que ultrapassou a modernidade",  segundo Bauman, ainda, busca...
Em relação à tendência, podemos afirmar, que ninguém é mais dono de nada, no que se refere a determinação do que se deve ou não ser usado. O estilo está condicionado ao bom, ou mau, gosto de quem recebe a informação de moda, e vai traduzí-la à sua maneira.
É muito compreensível - e já não era sem tempo -, que os profissionais de moda, de diferentes mídias, formadores de opinião no meio, se dessem conta disso...
Assim, para corroborar minha dedução achei esse artigo do New York Times, publicado no UOL MULHER e compartilho com vocês...Boa leitura!


***
Kate Lanphear, diretora da revista "Elle, posa nos bastidores da semana de moda de Nova York. "Como repórter, você sempre está de olho nas tendências", disse ela
 A diretora de estilo da revista “Elle”, Kate Lanphear, platinada e sempre envolta em couro, costuma ser sabatinada em festas e jantares com perguntas sobre a nova onda na moda. “O que mais me perguntam”, ela disse, “é qual vai ser a cor da próxima estação”. As consultas irritam. “Se eu ouvir isso mais uma vez…” Ela parou, exalando tempestuosamente.
Identificar caminhos para as cores, formas e humores e interpretá-los para as câmeras estão, claro, no universo de Kate, e são um meio de posicionar os looks mais desejados da estação em algum tipo de contexto edificante. “Como repórter”, ela disse, “você sempre está de olho nas tendências”. Mas e como consumidora? Nem tanto.
Kate faz parte de um círculo influente de formadores de opinião – comerciantes, estilistas, fotógrafos e blogueiros – que pode riscar novos caminhos para a moda como se fossem itens em uma lista de compras de luxo. Neon, dirão em coro, está tendo seu momento; padronagens pop; a calça de terno reina; leggings de couro são o desejo instantâneo da temporada. Ah, e falando em couro, o preto é (o que mais?) o novo preto.
Em termos de observações está tudo bem com elas. Mas nem sempre isso é o suficiente, como o pessoal do meio pode confirmar. “As tendências não são mais como costumavam ser”, disse Garance Doré, blogueira e fotógrafa de moda das ruas. Até algum momento nos anos 1970, destacou ela, a moda costumava seguir uma única e clara direção, transmitida aos fiéis com a autoridade de um “Moisés na montanha”.
Robert Burke, consultor para marcas de luxo e ex-diretor do Bergdorf Goodman, complementa o argumento. “Na década passada, nós nos encontrávamos no [hotel] Ritz, em Paris, para criar histórias de tendências, que seriam então traduzidas nas vitrines e em propagandas. Cerca de 40 ou 50 de nós detínhamos a chave daquela informação secreta”, disse.
A blogueira Garance Doré e o consultor de mercado de luxo Robert Burke. "As tendências não são mais como costumavam ser", disse Garance
Agora, qualquer um com paixão por estilo e acesso à televisão ou um computador pode tirar suas conclusões. “A história das tendências já era”, afirmou Burke. As tendências persistem, claro, ainda inspecionadas por comerciantes de massa, fabricantes e muitos consumidores, que as usam como bússola, um meio de navegar por um mar de mensagens quase sempre conflitantes. Mas, assim como o ímpeto em comprar, os relatórios de tendências estão em baixa nas prioridades dos consumidores. Os compradores alimentam sua inteligência de moda com uma profusão de fontes, entre elas as passarelas, a internet e as ruas, aparentemente anárquicas.  
Como, então, resolver a equação? É uma questão de instinto, diriam os frequentadores assíduos das primeiras filas, e de gosto pessoal. Como Garance coloca: “a gente veste o que a gente gosta”. Dito isso, ela e seus pares sensíveis às nuances recorrem a um punhado de estilistas cujos lançamentos idiossincráticos, porém confiáveis e identificáveis, determinam o curso da moda. “Os estilistas, junto com um conjunto de marcas inovadoras, perceberam o valor da consistência e da continuidade”, disse Burke. “E de ter voz própria”.
Quais dessas vozes falam com persuasão para as mulheres de hoje? Livres-pensadores como Phoebe Philo, da Celine, o brasileiro Francisco Costa, da Calvin Klein, e Nicolas Ghesquiere, da Balenciaga, com seus casacos amplos e suavemente arredondados, estão ganhando novos terrenos, assim como David Neville e Marcus Wainwright, da Rag & Bone, e Alexander Wang, que exaltou o estilo urbano e o espírito livre das sobreposições e o transformou em arte disciplinada. Riccardo Tisci, da Givenchy, também está atraindo elogios este ano com suas insígnias e cores góticas, levando a moda para um caminho romântico e “dark”. E isso é só para começar.
“A gente compra o que a gente gosta e o que vamos conseguir vender”, disse Roma Cohen, proprietário da Alchemist, de Miami Beach. Cohen apostou suas fichas em looks de designers que sejam identificáveis para os ricos de Miami, que são seus clientes, e para os visitantes urbanos (nova-iorquinos, italianos, brasileiros) que invadem suas duas lojas na alta temporada.
Modelos mostram looks de Tory Burch, Kenzo e Miu Miu (esq. para dir.) nas passarelas para o Inverno 2012/13
As peças de outono mais desejadas, ele previu, vão incluir os vestidos de Joseph Altuzarra, inspirados nos nômades e separados em estampas de tapetes marroquinos, seu exotismo contrastando com jaquetas e casacos militares; os jérseis de corte em viés e os tweeds de Rick Owen, e as elaborações feitas em camurça, sua marca registrada; e as roupas de Tisci, cujo estilo é muito próprio, disse Cohen, “a ponto de as pessoas olharem uma peça sua e automaticamente interpretá-la como Givenchy”.
Um look característico de um estilista favorito é um ímã para seus clientes. “Eles não procuram tendências”, afirmou o empresário. “Não é com isso que se preocupam. Se eles veem algo que todos estão fazendo, vão procurar outra coisa”. Ele olha para Erika Cohen, sua esposa e parceira, como um termômetro, observando que sua lista pessoal de desejos inclui um par de botas de couro pretas com fecho em forma de dente de tubarão de Tisci, assim como sua variação com estampa de crocodilo, com uma franja na parte de trás. A elas, Cohen acrescentou um casaco de pele modelo “peplum” de Gareth Pugh, uma blusa Celine e leggings de couro vermelhas Givenchy.  “Peço todo dia para o staff verificar se a nossa encomenda já chegou”, ela disse. “Estas serão minhas peças número um para o outono, e vão ficar no meu guarda-roupas por anos”. 
A longevidade conta para Marie Chaix, uma jovem editora que estampou sua marca na “Vogue” francesa e, mais recentemente, como estilista para Proenza Schouler. Ela tende às peças que “expressam um estilo, em vez de estar na moda”, contou ela. “E é o que toda marca está buscando, mas o mais difícil de se conseguir”.
Para o outono, ela está de olho em uma blusa semi-transparente de organza branca e uma saia preta de couro Valentino, e pelo menos um dos vestidos da coleção do estilista. “Junto com um casaco Celine”, disse Chaix, “nesta estação você quer um vestido Valentino”. Ela também é parcial quanto a uma jaqueta de couro preta e às calças Balenciaga. Um look, ela disse, que empurra os limites da moda sem sacrificar a qualidade ou sua confecção. E ela já pediu uma jaqueta Proenza Schouler, de couro preto com detalhes dourados.
Modelo apresenta criações da Celine durante o desfile Inverno 2012/13 da marca em Paris. Cada vez mais, relatórios sobre tendências perdem importância para os consumidores, que buscar outras fontes de informação, como as passarelas, a internet e as ruas
Kate Lanphear também é atraída por peles, sua marca registrada de longa data. “Tenho uma resposta muito visceral a certas coisas”, disse ela, que este ano se estende aos couros Tisci, em uma coleção que, segundo ela, “carrega um sentido real de romantismo com nuances de contos de fadas”. O vermelho profundo de um corpete rendado a remete a Branca de Neve. “Ele cria uma silhueta muito forte com jodhpurs de couro”.  Ela acrescentou que, com seu espírito de moleque, “calças de alfaiataria são coisas que realmente atraem”.
Assim como a Garance, cujo entusiasmo para combinar jaquetas e calças em coleções como Louis Vuitton, Miu Miu e Stella McCartney é igualado apenas pelo seu gosto por peplums, especialmente os Lanvin. “Eu já tenho talvez dois casacos peplum no meu guarda-roupa”, disse. “Acho que não vão sair de moda”.
Na maioria de conversas do gênero, grandes temas surgem. Nas passarelas, a Grã-Bretanha domina, pelo menos em algum grau. “Londres está vivendo seu momento”, disse Ken Downing, diretor de moda da Neiman Marcus, notando em particular a paixão da moda pelo estilo eduardiano da série “Downtown Abbey”.  Com o jubileu da rainha ainda fresco em suas lembranças, ele acrescentou, os designers estão muito inspirados pelas armadilhas da nobreza: pele, brocados luxuosos, chinelos para a noite e o emblema da realeza, as joias da coroa. “Talvez seja por isso que estamos vendo tantos broches”, sugeriu.
Isso sem falar nos looks equestres que estão em alta para Holli Rogers, a diretora de moda do site de compras Net-a-Porter. Um item favorito, ela diz, é uma jaqueta country adaptada, da Stella McCartney, com quadris largos e gola esporte. E um casaco de corte amplo Kenzo, com mangas amarelas e em tricô formando uma padronagem de waffles.
As formas reduzidas e bem educadas persistem, filtradas nas coleções mais rarefeitas, assim como um grande número de linhas inovadoras a preços acessíveis. Tão relativamente fáceis de encaixar no orçamento quanto são agradáveis aos olhos estão uma blusa peplum verde água Elie Tahari; um vestido acinturado Milly e um moderno vestido seco com mangas em couro DKNY.
O rigor é contraposto por uma certa opulência leviana, tão evidente nos brocados florais Nanette Lepore ou na padronagem barroca Just Cavali quanto numa sucessão de looks encrustados com jóias Lanvin.
Em um momento definido por correntes tão paradoxais, “a verdadeira luta”, disse Kate, “está em saber qual lado vai vencer”.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

terça-feira, 13 de novembro de 2012

EMBARQUE NESSA ONDA DA AUDACES

Veja, que legal,  a AUDACES lançou uma promoção com muitos prêmios, para os blogueiros de plantão!
Se você tem um veio jornalístico e gosta de escrever sobre moda e assuntos correlatos, essa é a sua chance...
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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

CALÇA JEANS: O PRODUTO PERFEITO

Imagem: Galeria do Google

       

Quando Cristovão Colombo descobriu a América, em 1492, não imaginava que o tecido utilizado para a confecção das velas do Santa Maria, mais tarde se tornaria um produto revolucionário, cuja importância se compararia à invenção da roda ou a descoberta da penicilina e mudaria o modo de vestir de todo o mundo: a calça jeans.
Um tecido duro, firme e áspero utilizado desde a idade média, originalmente conhecido como “sarja de Nimes”, na linguagem corrente tornou-se “denim”. Com o mesmo tecido, no norte da Itália, marinheiros da cidade de Gênova o utilizavam em suas calças, para o trabalho árduo, cuja denominação “genovês” derivou a palavra “jeans”.
Três séculos depois da descoberta de Colombo, em 1853, um imigrante alemão, chamado Levi Strauss criou a calça Five Pockets, para os trabalhadores das minas e cowboys norte-americanos, que procuravam ouro, durante a corrida para o oeste. Ele fez uma experiência e confeccionou algumas peças reforçadas com a lona, que trouxera para serem feitas barracas ou coberturas dos vagões de minério. Por conta da resistência do tecido, as peças não se estragavam com facilidade e duravam muito mais, do que as utilizadas, até então. O sucesso foi imediato.
As complementações foram aparecendo aos poucos. Em 1860, acrescentou-se os botões de metal na vista; por indicação de Jacob Davis, em 1872, os rebites de cobre foram incorporados à peça, aplicados nas bocas dos bolsos; em 1886 a etiqueta de couro foi costurada no cós da calça; em 1890 veio a cor índigo, e em 1910 surgiram os bolsos traseiros.
A partir de então, a calça jeans ganhou status internacional e foi batizada com o nome do seu criador Levi’s, cuja inspiração western e rancheira percorreu todo o mundo.
O jeans, inicialmente, foi associado à figura viril e forte do homem, vestindo cowboys, como tom Mix e John Wayne no cinema, e  por ser o tecido dos uniformes dos soldados americanos, na segunda Guerra Mundial.
No entanto, sua popularidade se deu de forma estrondosa  no pós-guerra, no final dos anos 40 e início dos 50,  por conta da exigência e imposição da juventude americana, que usava as calças, que era de uso profissional e sobretudo de conotação marginal, para afrontar a sociedade conservadora da época. Também brilhou nas telas de cinema, nos corpos dos garotos maus, interpretados por Marlon Brando e James Dean, em “O Selvagem” e “Juventude Transviada”, respectivamente. Além de se apresentar feminina e sensual, vestindo celebridades como Marilyn Monroe e Jean Mansfield.
Não bastasse tamanho sucesso, tornou-se parceiro inseparável do Rock’n’Rol, quando Elvis Presley vestiu-a em Jailhouse Rock, em 1957. Seu uniforme de prisão em denim projetava uma imagem potente e máscula.
No Brasil, a calça jeans apareceu em 1948 quando a Roupas AB lançou a primeira calça de brim azul, a Rancheiro.  A novidade não teve boa aceitação, pois o brim era duro demais e os jovens não possuiam o poder de compra que alcançariam anos mais tarde. Em 1956 a Alpargatas lança a Far West, a calça que anunciava resistir a tudo.
Já consagrado como um traje jovem, o jeans adquiriu nova característica de protesto no final dos anos 60. Com a guerra do Vietnã, jovens contrários a ela e com ideais baseados na paz se disseminaram na América. Os hippies usavam o jeans num visual largado e customizavam as peças artesanalmente,  o que foi logo industrializado.
A Europa, nessa época, sob a influência da febre hippie, com o sucesso das peças criadas em St. Tropez, França,  remodelou o jeans e começou a exportar para América. Marcas como Françoise e Mariethe Girbaud exauriram as possibilidades de criação da calça jeans, desde os modelos pata de elefante à baggy.
Para ser desfilado nas passarelas era só uma questão de tempo. Algo que aconteceu sob indignação dos mais conservadores, na década de 70, pelas mãos do estilista Calvin Klein. Atitude, que foi seguida por outros criadores, e o jeans, definitivamente, se estabelecia como um produto de moda.
Nesse mesmo período, os brasileiros utilizavam a calça jeans somente, para o trabalho.
No entanto, influenciados pelos americanos e, também pelos europeus, os jovens da classe média brasileira, começaram a utilizá-la, também, no lazer.  Influência  essa que se manifestava, pelo desejo de adquirir as famosas calças Lee, o jeans americano, que desbotava e era concorridíssimo.
A Lee, no Brasil,  virou sinônimo de jeans. O que fez a indústria de vestuário  perceber o mercado promissor que estava se formando. Começaram, então,  a serem criadas as primeiras  marcas de jeans com forte apelo de vendas aos jovens.
O milagre econômico e a ditadura política marcam o Brasil na década de 70, o que  levou a uma acelerada transformação no comportamento dos jovens. Conflito de gerações e revolução sexual são tópicos freqüentes nessa época. Fenômeno, que se revelou na roupa.
Qual peça, se não o jeans para manifestar essa libertação? A exemplo dos americanos, no final dos anos 40 e início dos 50, a juventude brasileira passa, também a exigir seu papel na  sociedade.
Em 1972 a primeira calça produzida no Brasil com apelo jovem, a  US Top chega ao mercado brasileiro, como o “verdadeiro” indigo blue, prometendo desbotar tal qual a calça Lee americana. Sucesso imediato entre todas das faixas da juventude. Alguns anos depois, a gigante do jeans Levi’s adapta sua modelagem aos gostos nacionais (calças justas na frente para os homens e atrás para as mulheres). E a Ellus introduz a moda dos stone washed, lavagem com pedras que desbota o tecido e permite diversas tonalidades.
Segundo a professora e historiadora de moda Keila Ferraz várias marcas brasileiras foram pioneiras ao introduzir uma coleção de jeanswear, como Forum, Zomp, entre outras.
Mas a caracterização do jeans brasileiro, como ele é hoje, começa a se formar a partir dos anos 80. O Brasil leva o crédito pela invenção da cintura baixa e pela mistura do Índigo com tactel que deixa a calça 30% mais leve e modelada ao corpo. Sinônimo de sensualidade, o corte mais alto na parte de trás e, rebaixado nas laterais e na frente, dá a impressão de bumbum arrebitado, orgulho nacional e cobiça estrangeira.
Segundo a ABIT - Associação Brasileira das Industrias Têxteis -  a produção de calças jeans gira em torno de 226.700.000 (duzentos e vinte e seis milhões e setecentos mil), e o mercado brasileiro movimenta cerca de R$ 8,2 bilhões por ano. Ainda de acordo com essa organização, o país produz cerca de 25,7 milhões de metros de denim por mês, sendo exportados cerca de 51,4 milhões de metros.
A concentração da produção de calças jeans, ainda está no bairro paulistano do Brás, o maior produtor e exportador de calças jeans da América Latina, segundo a ALOBRAS – Associação dos Lojistas do Brás, com um número aproximado de quatro mil confeccionistas (4.000) e produção de 10 milhões de calças por mês, e 1,2 milhões de calças jeans exportadas para países das Américas do Sul e Norte, e Europa, todo mês.
Há ainda outros pólos produtores de calças jeans no Brasil, como o norte do Paraná, nas cidades de Londrina, Cianorte, Ampère; Agreste Nordestino: Toritama (PE), Aracaju; Goiás; Santa Catarina; Rio Grande do Sul e interior de São Paulo.
O jeans inicialmente foi criado para suprir uma necessidade dos trabalhadores oferecendo uma maior resistência nas vestes para suportar as tarefas desenvolvidas nas minas americanas. A partir daí ele começou a se revelar como um produto prático e confortável, o que lhe permitiu ser alterada sua modelagem.
De caráter democrático, passou a ser usado como arma social em demonstração da busca de identificação dos jovens. Saiu das ruas, aportou nas passarelas de famosos estilistas e tornou-se investimento lucrativo de grandes grupos industriais.
No entanto, a preocupação, do mercado brasileiro é uma só:  trazer às mulheres  novas criações em modelos e modelagens e lembrá-la, que antes de ser uma peça útil para o dia-a-dia ela é, acima de tudo, uma arma de sedução.